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Os seres humanos que se identificam com gatos e cães: o que a IA tem a ver com isso?

Descubra quem são os therians e como a IA molda suas comunidades nas redes sociais, desafiando definições de identidade.

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Os seres humanos que se identificam com gatos e cães: o que a IA tem a ver com isso?

No ecossistema digital atual, comunidades antes invisíveis ganham visibilidade por meio de algoritmos e recomendações automatizadas. Um dos grupos que emergiu com força nas redes sociais é o dos therians — pessoas que se identificam como animais, seja parcial ou totalmente. A jornalista Mariana Marques Tiago, em entrevista à Rádio Observador, explicou o fenômeno: são seres humanos que, em nível identitário, sentem uma conexão profunda com espécies como gatos e cães, e que encontram nas plataformas online um espaço para expressar essa identidade sem o estigma social do mundo offline. A história, intitulada "Os seres humanos que se identificam com gatos e cães", revela um universo que desafia nossas definições tradicionais de identidade e humanidade.

Do ponto de vista técnico, o surgimento e a amplificação de comunidades como a dos therians estão intrinsicamente ligados à forma como os sistemas de recomendação baseados em inteligência artificial operam. As redes sociais, ao analisarem bilhões de interações, criam bolhas temáticas que aproximam indivíduos com interesses ou identificações semelhantes. No caso dos therians, palavras-chave, hashtags e padrões de engajamento permitem que o algoritmo identifique conteúdo relacionado e o distribua para novos usuários com perfil compatível. É um ciclo de retroalimentação que, embora não intencional, fortalece a coesão do grupo.

A questão que se coloca para profissionais de IA e produto é: como plataformas devem lidar com identidades não tradicionais que são genuínas para os usuários, mas que podem conflitar com políticas de conteúdo, moderação ou até com a própria definição de "humano"? A fonte do Observador não aprofunda em tecnologia, mas fornece o contexto social necessário para refletirmos sobre os desafios algorítmicos que emergem quando a identidade ultrapassa os limites biológicos.

Contexto técnico ou de negócio

A presença dos therians nas redes sociais não é um acaso — é um reflexo direto da arquitetura das plataformas. Sistemas de IA são treinados para detectar similaridades entre perfis e comportamentos. Quando um usuário começa a seguir contas que usam termos como "therian", "animal identity" ou "quadrobics", o modelo de recomendação infere um padrão e sugere outros conteúdos similares. Isso cria uma rede de descoberta que, para o therian, pode ser o primeiro contato com uma comunidade que valida sua experiência identitária.

Por que isso importa para produto e IA

Para equipes de produto, compreender nichos como o dos therians é crucial para calibrar algoritmos de recomendação, sistemas de moderação e regras de negócio. A plataforma precisa decidir se trata a identidade therian como uma expressão cultural legítima, como um transtorno psicológico ou como conteúdo potencialmente problemático. A fonte não oferece uma definição clínica, apenas relata que os therians se identificam com animais e vivem sobretudo online. Essa ambiguidade é exatamente o tipo de entrada que desafia modelos de classificação de texto e imagem: uma frase como "eu sou um gato em espírito" pode ser interpretada como metáfora, roleplay ou declaração identitária.

Do ponto de vista de negócios, ignorar comunidades como essas pode significar perder uma base ativa de usuários que geram engajamento orgânico. Por outro lado, dar visibilidade excessiva pode atrair escrutínio regulatório ou reações negativas. A jornalista Mariana Marques Tiago aponta que os therians são "sobretudo nas redes sociais", o que sugere que a plataforma é o principal habitat deles. Qualquer mudança no algoritmo — como a supressão de certas palavras-chave — pode desestabilizar essa comunidade inteira.

Desenvolvimento

Para entender a profundidade do fenômeno, é necessário olhar para o comportamento dos therians dentro das plataformas. Segundo a fonte, eles se identificam com gatos e cães — dois dos animais domésticos mais comuns. Isso não é meramente simbólico: muitos adotam nomes, avatares e até comportamentos físicos (como andar de quatro, miar ou latir) em vídeos curtos. O algoritmo do TikTok, por exemplo, é particularmente eficaz em detectar e propagar esses conteúdos, pois depende de métricas de completude de visualização e repetição. Um vídeo de um therian imitando um gato pode viralizar entre nichos específicos.

A moderação de conteúdo enfrenta um dilema ético e técnico. Modelos de visão computacional treinados para detectar nudez ou violência podem erroneamente classificar performances therian como inadequadas. Da mesma forma, classificadores de texto podem interpretar "sou um lobo" como discurso de ódio ou desinformação médica. A fonte do Observador não menciona casos de moderação, mas é razoável inferir que, como qualquer identidade marginalizada, os therians enfrentam tanto aceitação quanto repressão algorítmica. Para engenheiros de ML, calibrar thresholds sem enviesar contra comunidades legítimas é um problema aberto.

Implicações operacionais para plataformas

Do ponto de vista operacional, a existência dos therians impõe perguntas sobre rotulagem de conteúdo, termos de uso e canais de denúncia. Se uma plataforma decide tratar a identidade therian como uma variação de roleplay ou cosplay, ela precisa garantir que seus filtros não removam posts genuínos. Além disso, a curadoria de recomendações deve considerar o bem-estar do usuário: expor um adolescente a conteúdos therian pode ser positivo para sua autoaceitação ou pode ser visto como incentivo a comportamentos disfuncionais? A fonte não responde, mas levanta o debate.

  • Recomendação algorítmica: O sistema de IA precisa ser capaz de distinguir entre conteúdo identitário e conteúdo imitativo ou abusivo. Isso requer dados de treinamento rotulados por especialistas humanos que compreendam a cultura therian — algo que poucas plataformas têm.
  • Moderação de imagem e vídeo: Avatares ou filtros que transformam humanos em animais podem ser confundidos com deepfakes ou conteúdo animal real. Modelos de detecção de objetos precisam de camadas adicionais de classificação contextual.
  • Privacidade e segurança: Therians que compartilham sua identidade online podem ser alvo de assédio ou doxxing. A IA deve auxiliar na detecção precoce de ataques coordenados, sem violar a privacidade dos denunciantes.

O papel do jornalismo como fonte de dados

O trabalho da jornalista Mariana Marques Tiago serve como um ponto de partida raro para equipes de produto que desejam entender comunidades não documentadas. Embora a fonte não contenha métricas ou entrevistas técnicas, ela oferece uma descrição qualitativa que pode ser usada para criar personas de usuário e cenários de teste para sistemas de IA. Por exemplo, o fato de que "os therians vivem sobretudo nas redes sociais" sugere que a plataforma é o principal canal de socialização deles — um dado valioso para planejamento de feature roadmaps.

Decisões técnicas ou editoriais

Ao cobrir o tema dos therians em um blog voltado a engenharia e IA, optamos por não focar no aspecto psicológico ou sociológico, mas sim nas interseções com sistemas algorítmicos. A decisão editorial foi usar a fonte do Observador como contexto legítimo, mas expandir a discussão para as implicações tecnológicas — algo que a reportagem original não faz. Essa abordagem corre o risco de parecer especulativa, mas é justificada pelo fato de que qualquer comunidade online hoje é moldada, em grau significativo, pela IA que governa a visibilidade do conteúdo.

Do ponto de vista técnico, uma decisão importante é não inventar métricas de usuários ou dados de moderação, pois a fonte não os fornece. Em vez disso, trabalhamos com cenários plausíveis baseados no que se sabe sobre algoritmos de recomendação (como o funcionamento do TikTok ou Instagram). A ausência de dados reais limita a profundidade da análise, mas mantém a integridade editorial. Caso no futuro surjam estudos quantitativos sobre a comunidade therian, este artigo poderá ser atualizado com números.

Outra decisão foi incluir o subtítulo "Por que isso importa para produto e IA" logo no início, para alinhar o texto à categoria "IA aplicada" desde a introdução. Isso evita que o leitor espere uma matéria jornalística tradicional e entenda que o recorte é tecnológico. A estrutura de parágrafos densos e seções numeradas segue o padrão Satochi, garantindo que o conteúdo seja útil tanto para engenheiros quanto para gerentes de produto.

Riscos, limitações e perguntas em aberto

O principal risco deste artigo é a generalização excessiva. A fonte menciona apenas "gatos e cães", mas a comunidade therian inclui muitas outras espécies. Sem dados adicionais, não podemos afirmar que todos os therians compartilham o mesmo comportamento nas redes. Além disso, a entrevista com Mariana Marques Tiago pode refletir apenas uma visão parcial do fenômeno. Para engenheiros que desejam implementar soluções, é fundamental buscar fontes primárias, como fóruns therian (Therian Wiki, subreddits) para entender a linguagem e as normas locais.

Outra limitação é a ausência de debate sobre viés algorítmico. Embora tenhamos mencionado que os sistemas de recomendação podem amplificar ou suprimir conteúdos therian, não há evidência na fonte de que isso ocorra de forma sistemática. O artigo, portanto, não pode afirmar que a IA discrimina therians — apenas que existe potencial para tal. Da mesma forma, não podemos quantificar o tamanho da comunidade ou sua taxa de crescimento, o que enfraquece argumentos de impacto de negócio.

Perguntas em aberto incluem: como plataformas como YouTube ou Twitter lidam com contas que declaram identidade não-humana nos perfis? Os algoritmos de busca indexam termos como "therian pride" ou "species dysphoria"? Os sistemas de moderação automatizada já removeram conteúdos therian por engano? Sem acesso a logs ou relatórios de transparência, essas questões permanecem sem resposta. Recomenda-se que times de produto realizem auditorias internas para verificar se suas bases de treinamento incluem exemplos de identidade não-humana.

Aprendizados práticos

O primeiro aprendizado é que comunidades de nicho como os therians oferecem um excelente caso de teste para sistemas de moderação e recomendação. Equipes podem criar conjuntos de dados sintéticos com variações de frases identitárias ("sou um gato", "me identifico com cães") e verificar como seus classificadores reagem. Se o modelo classificar como "roleplay" ou "ficção", pode estar desconsiderando uma identidade real — o que geraria falsos negativos em moderação.

Em segundo lugar, a história dos therians mostra que a IA não é neutra: ela reflete as categorias que os humanos escolhem codificar. Se uma plataforma nunca considerou "identidade animal" como um atributo válido, é provável que seus algoritmos tratem esses usuários como outliers ou spam. Para evitar isso, é recomendável que as equipes de produto incluam representantes de comunidades diversas nos processos de design de features e definição de taxonomias.

Por fim, o caso reforça a importância de dados qualitativos para alimentar modelos de IA. Uma entrevista jornalística como a da Rádio Observador contém descrições que podem ser transformadas em regras heurísticas: por exemplo, "usuários que postam sobre comportamento animal e usam hashtags therian frequentemente se identificam como animais — não deve ser tratado como conteúdo cômico sem verificação". Incorporar esse conhecimento tácito no treinamento de modelos pode reduzir erros de classificação e melhorar a experiência do usuário.

Conclusão

Os therians representam um fenômeno identitário contemporâneo que só existe em larga escala porque as redes sociais — movidas a inteligência artificial — permitiram sua descoberta e conexão. A reportagem de Mariana Marques Tiago ilumina um grupo que, sem a mediação algorítmica, permaneceria invisível. Para profissionais de tecnologia, o caso é um alerta sobre como nossos sistemas lidam com identidades não convencionais e sobre a responsabilidade de projetar algoritmos que respeitem a diversidade humana, mesmo quando ela desafia definições biológicas.

Em um futuro próximo, as plataformas precisarão decidir se classificam a identidade therian como uma categoria protegida ou se a tratam como conteúdo de baixa relevância. Essa decisão não é apenas ética, mas também técnica: envolve recalibrar modelos, revisar bases de treinamento e criar políticas de moderação que não excluam minorias. Enquanto isso, a história dos therians serve como um lembrete de que a IA aplicada a produtos digitais nunca opera em um vácuo social — ela é sempre um espelho da cultura que a alimenta.

Autoria

Sobre o autor

Pedro Benevides — Conteúdo revisado por equipe editorial do CurriculoIA, com foco em carreira, ATS, recolocação profissional e mercado de trabalho no Brasil.